domingo, 26 de maio de 2013

mico-leão-de-cara-dourada (nome científico:Leontopithecus chrysomelas) é um primata brasileiro, pertencente a famíliaCebidae e subfamília Callitrichinae e gênero Leontopithecus. Ocorre no sul da Bahia e extremo nordeste de Minas Gerais, ocupando uma área de aproximadamente 20 000 km². Entretanto, a única unidade de conservação nessa área é a Reserva Biológica de Una. Foi a primeira espécie de mico-leão a se diversificar, e portanto, é o táxon basal do gênero Leontopithecus. Assim como as outras espécies de micos-leões, já foi considerado uma subespécie, sendo uma espécie propriamente dita atualmente.
Possui um padrão de pelagem de cor característica, possuindo o corpo todo negro, com mãos, pelos da face e ponta da cauda de cor dourada, o que conferiu o nome popular. São animais insetívoros e frugívoros e muitas vezes se associam ao sagui-de-wied quando buscam alimento.
É uma espécie que corre considerável risco de extinção, entretanto, das quatro espécies de mico-leões, é a que corre menos risco de extinção e que possui a maior população em liberdade.

Taxonomia e Evolução [editar]

O mico-leão-de-cara-dourada pertence ao gênero Leontopithecus, grupo monofilético da família Cebidae e subfamília Callitrichinae.2Foi descrito e classificado por Heinrich Kuhl, em 1820.4 1 Já houve dúvida se era de fato um mico-leão, por alguns autores do início do século XX, como Elliot (1913) e Thomas (1922).4 O gênero Leontopithecus foi proposto por Hershkovitz (1977) como monotípico, sendo Leontopithecus rosalia a única espécie: o mico-leão-de-cara-dourada era uma subespécie (L. r. chrysomelas), junto com omico-leão-dourado (L. r. rosalia) e mico-leão-preto (L. r. chrysopygus).2 5 Essa classificação foi revisada, e atualmente, é considerado, junto com as outras espécies de micos-leões, uma espécie propriamente dita.1 2 3 6
Evidências genéticas apontam para um período muito recente de diversificação dos micos-leões, a partir de refúgios de floresta noPleistoceno.7 Estudos filogenéticos corroboram com a hipótese de que o mico-leão-de-cara-dourada foi a primeira espécie a se separar das demais, sendo o táxon basal do clado do gênero Leontopithecus.8 9 10 11
Não foi encontrado nenhum fóssil da linhagem do mico-leão-de-cara-dourada.12

Distribuição Geográfica e Hábitat [editar]

O mico-leão-de-cara-dourada é endêmico da Mata Atlântica, do sul da Bahia, tendo o limite norte de sua distribuição como rio das Contas e o limite sul como o rio Pardo.13 14 15 Coimbra-Filho (1973) sugere a ocorrência da espécie mais ao sul, perto do limite com o Espírito Santo, ao sul do rio Mucuri.13 Estudos posteriores mostraram que tal hipótese não era válida.15 Outrora, pareciam abundantes na região de Ilhéus.13 Sua área de ocorrência chega a quase 20.000 km², mas parece que já se extinguiu de sua distribuição mais ao norte, entre o rio das Contas e o rio Ilhéus.14 3 Sua ocorrência a oeste chega até a 150 km do litoral, já não ocorrendo mais à medida que aumenta a altitude, próxima a chapada de Vitória da Conquista, se distribuindo ao longo do rio Gongojino noroeste.14 Pode ser encontrado também no extremo nordeste de Minas Gerais, ao sul do rio Jequitinhonha.14
Habita principalmente a floresta ombrófila de terras baixas, sendo também encontrados nas restingas e florestas secundárias.16 Na área de ocorrência da espécie, não existe sazonalidade no regime de chuvas, que ocorrem de forma relativamente constante o ano todo.16 Nota-se, que o mico-leão-de-cara-dourada, ao contrário do mico-leão-dourado, evita áreas pantanosas, principalmente para dormir.16 A cabruca, onde é feito o plantio de cacau, eventualmente é utilizada pelo mico-leão-de-cara-dourada, desde que persistam altas árvores nativas.16 Aparentemente, o mico-leão-de-cara-dourada ocorre em quase todos os ambientes florestados de sua distribuição geográfica.16 Habita, principalmente, os estratos mais altos da floresta, entre 12 m e 19 m de altura, em que tenha abundância e diversidade de bromélias.17
É a espécie de mico-leão que teve sua distribuição geográfica pouco reduzida se comparada com as outras, e parece ocorrer em quase toda a sua ocorrência original.18 14 Foi registrado sua presença em cerca de 94 localidades no estado da Bahia e Minas Gerais.14 Entretanto, a única unidade de conservação dentro de sua área de distribuição geográfica é a Reserva Biológica de Una, e seu habitat se encontra cada vez mais fragmentado, o que é preocupante em termos conservacionistas.14 4

Descrição [editar]

O mico-leão-de-cara-dourada é a espécie do gênero que ocorre no sul da Bahia.
Possui toda a pelagem de cor negra e brilhante, exceto ao redor da face, membros anteriores e posteriores, que são douradas, o que conferiu o nome popular da espécie.19 Possui um crânio com conformação única dentre os mico-leões, com uma face mais alongada em comparação às outras três espécies e também mais robusta.20 Pesam entre 534 g (fêmea) e 620 g (macho), com até 25 cm de comprimento, sem a caudal, que não é preênsil.21

Ecologia [editar]

Os micos-leões são animais frugívoros e insetívoros que apesar de seu pequeno tamanho ocupam áreas de vida relativamente grandes.22 No caso do mico-leão-de-cara-dourada, foi constatado em Una, que sua área de vida tem em média 123 hectares (trata-se de um território muito maior do que constatado para o mico-leão-dourado), entretanto, a maior parte do tempo é passada em apenas 11% de todo esse território.22 Sua área de distribuição é simpátrica com Callithrix kuhlii, do qual se diferencia ecologicamente: o mico-leão possui maior território, forrageia nos estratos mais altos da floresta e uso como sítios de dormida buracos em troncos de árvore.17 Foram reportadas associações mistas com essa mesma espécie, embora não seja frequente.1912 Sua dieta constitui-se predominantemente de frutos maduros, néctar, insetos e pequenos vertebrados, sendo que néctar também tem menor importância na dieta comparado às outras espécies de mico-leão.22

Conservação [editar]

O mico-leão-de-cara-dourada consta como "Em Perigo", segundo a IUCN e na lista do IBAMA.3 23 A Reserva Biológica de Una é a principal unidade de conservação dessa espécie, embora seja de tamanho reduzido para manter uma população viável a longo prazo.14 Ademais, ao longo de sua distribuição geográfica, houve uma extrema redução da cobertura vegetal e de seu hábita.14 Ainda sim, é a espécie do gênero Leontopithecus que possui a maior população na natureza, com estimativas entre 6.000 e 15.000 indivíduos.14

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